Quando falava sobre ter ingressado no curso de jornalismo, era mais certo alguém dizer “Vai trabalhar na Globo?” do que “Parabéns pela conquista!”. Mas o que ninguém te conta antes de você entrar na faculdade é que o jornalismo vai muito além do sonho de sentar atrás da bancada do Jornal Nacional. Ele é um mundo de descobertas.

As funções que um jornalista pode realizar, as atividades que pode desempenhar, tudo é amplo demais. E cada vez mais amplo com toda a quantidade de novos meios e assuntos. Na aula inaugural, eu estava encantada com cada possibilidade: escrever notícias, fazer fotos incríveis, gravar programas de rádio e aparecer com o microfone na mão em uma chamada ao vivo. Tudo isso me aguardava.
Cada aula era uma nova descoberta de uma nova tarefa possível dentro do vasto mundo jornalístico. E olha que estamos falando da primeira metade da década de 2010, quando estava em uma cadeira dentro da academia. A forma e os meios mudaram muito de lá para cá, mas naquela época tudo aquilo parecia um sonho possível e muito real.
Concluí que, se queria, de fato, aprender algo especificamente, precisaria me qualificar naqueles assuntos. Comecei a buscar, então, enquanto cursava o primeiro período ainda, por oportunidades de estágio e cursos e workshops que me permitissem aprender mais sobre cada tema de interesse.
Conquistei meu primeiro estágio no Inmetro, em agosto de 2013, para cuidar da comunicação interna da Instituição. Ali, refinei muito meu português, pois precisava fazer revisões extremamente cuidadosas de todos os textos que sairiam por e-mail ou impressos. Além disso, foi como eu entendi o que era o tal mundo corporativo, seu funcionamento e seus desafios. Ainda mais se tratando de uma empresa pública.
Comecei a me cadastrar em eventos da universidade sobre contação de histórias (mesmo que fossem do curso de pedagogia) e aprendizado de ferramentas, como as de edição audiovisual. Meu pensamento sempre foi: todo conhecimento pode ser útil um dia.
Também fiz questão de saber no que eu não tinha a menor vontade de trabalhar como jornalista. Em uma profissão tão rica, cheia de possibilidades das mais criativas, eu sabia que não queria trabalhar em uma rotina com ausência de criatividade. Não queria escrever sem entender o porquê, sem que aquilo fizesse algum sentido para mim. Acredite, isso é muito comum no ofício.
Claro que muitos de nós, jornalistas, almejamos crescer o suficiente para sentar atrás de uma bancada e ser vistos pelo país (quiçá pelo mundo) inteiro em horário nobre. No meu caso, acredito que eu só queria me expressar mesmo. Tive um professor que falava que todo jornalista é um artista frustrado. Mas considero que nós sejamos artistas, sim, principalmente, quando queremos fazer do nosso conteúdo uma arte a ser lida, ouvida e assistida.

A minha arte é para ser sentida com o coração, seja quando eu escrevo uma crítica de cinema, publico meu podcast ou edito um vídeo para redes sociais. Durante a faculdade, você pode descobrir centenas de possibilidades que sua profissão oferece, porém o mais divertido é se descobrir como um artista do que se sonha fazer.
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